27 de mar de 2017

Volto logo.

27 de mar de 2017

Eu não sei dizer adeus. Eu fico fingindo que vou te ver nos finais de semana. E quando os finais de semana chegarem, eu provavelmente vou fingir que, na verdade, era no final de semana seguinte. Eu fico fingindo que vou poder te ligar, toda vez que eu me deparar com algo incrível, interessante, diferente ou algo que você gostaria de ver, mas eu sou impedida por quatro horas de diferença. Eu fico sentindo falta das vezes que eu ouvia você me dizendo boa noite pois precisava acordar cedo e eu ficava chateada, pois era você que sempre desligava primeiro e eu não queria entender que você tinha aula e eu não – você não me dá boa noite com tanta frequência agora, quando chega próximo da minha hora de dormir você ainda está voltando da aula. Eu fico querendo mandar mensagem a toda hora que eu encontro algo que é a sua cara, mas, dessa forma, eu ficaria na expectativa da resposta, que chegaria tão tarde. Eu fico olhando para os lugares e para as pessoas e vendo você, te escutando em conversas e te sentindo no meu singelo abraço ao ursinho de pelúcia quando vou me deitar. Eu fico te buscando em vão, pois sei que você está à uns 8609.31 quilômetros de distância. Eu fico fingindo que não estou sentindo saudades para, assim, doer menos, mas toda vez que finjo que não, me dói no coração um “sim”. Sim! É claro que sinto saudades. Eu só penso nas suas mãos deslizando por minhas costas em um abraço apertado. Eu só imagino o seu carinho e a sua risada. Como não sentir saudade da risada mais deliciosa do mundo? Essa risada que poderia atravessar os oceanos e encontrar o meu sorriso. Queria eu que as distâncias na vida fossem tão pequenas quanto nos mapas. Que a escala e fusos fossem uma distância de fachada. Coisas que aprendemos em geografia e não usaríamos pelo resto da vida, parecido com aquelas contas, com a álgebra (você me olharia feio se eu falasse isso perto de você). Queria eu não sentir tanta falta, seria mais fácil. Mas amor nunca foi sobre o caminho fácil. Nem os sonhos. Muitas vezes eles não coincidem a menos que façamos com que coincidam à nossa maneira. Eu não sei dizer adeus. E nem quero. E Nem vou. Claro. Eu volto logo. Até lá imagino que vou te ver nos finais de semana. E no seguinte. E no próximo. Até eu voltar. Eu volto logo.

20 de mar de 2017

Eu nem fui...

20 de mar de 2017


Eu nem fui e já estou louca para voltar. É que eu não sei viver sem ver esse sorriso que me enche de felicidade sempre que você vem. Eu não sei viver sem esses mãos que me seguram no seu abraço e levam embora a dor do vazio que é não te ter. Eu não sei não estar do seu lado, pois nunca precisei estar longe de você. Eu só aprendi a estar contigo e agora preciso aprender a não estar. Preciso aprender a não poder enlaçar a minha mão na sua quando o desespero me vem e aprender a não encontrar em seus braços o meu porto seguro. Preciso me refazer longe de você. Pois não poderei beijar tua testa e teu pescoço. Nem sentir o teu cheiro ou roubar o teu perfume. Não poderei correr para a tua casa num momento em que eu me sentir perdida, pois sua casa não estará do outro lado da avenida e, sim, em outro continente. Não poderei ligar sempre que eu precisar da tua voz para me acalmar, pois o fuso horário me impede de estar no mesmo momento que você. Eu não vou poder buscar paz nos teus olhos e nem te observar dormindo. Não vou poder me concentrar na sua respiração. Não vou fazer parte da sua rotina. Não vou fazer parte da tua vida. Como dói não fazer parte da sua vida, amorzinho. Como dói não poder te ver. Como machuca e me dilacera-me o coração ter de me limitar à uma tela de celular para ter acesso a ti. Não saber o que será te tocar por dois meses. Parecem dois anos. Não sei viver sem essa atmosfera incrível que você traz sempre que entra no quarto. Uns dizem que o melhor lugar do mundo é Nove Iorque. Outros dizem que é Londres. Alguns apostam no Japão. Mas eu tenho certeza que o melhor lugar do mundo é ao seu lado. Eu nem fui e já quero voltar.

27 de jan de 2017

Problemas

27 de jan de 2017


Não vou negar. A gente tem problemas. A gente é feito de cacos, reparos, retardos, manias. A gente é gente. Nada além disso. Se, como pessoas, temos de lidar com o fardo de aguentar nossos próprios defeitos, suprir nossas próprias vontades, tolerar nossas próprias inseguranças; como devemos lidar com o outro? Respondo da seguinte forma: Não devemos lidar com o outro. Devemos aprender, amar, entender e buscar melhorar. Não vivemos das aparências. Não somos o tipo de casal que vai agir de forma delicada para mostrar para todos que nosso relacionamento não tem falhas. Oras, somos seres humanos! Falhamos sozinhos! Porque seríamos completamente perfeitos com outros? Temos faltas, vazios, buracos, desejos, frustrações. Temos problemas, como falei no começo. Não somos perfeitos. Somos pessoas. Porém, antes de qualquer coisa, escolhi não ser perfeita ao seu lado. Escolhi ter faltas, vazios, buracos, desejos, frustrações; ao seu lado. Me entrego crua. Sem photoshop, sem mentiras. Me terá inteira, portanto me terá defeituosa. Não vim de uma fábrica just-in-time. Não vou postar fotos o tempo inteiro de nós dois. Não vou mostrar nossas fotos o tempo inteiro para os outros. Não vivo de expectativas alheias. Não vou impedir uma discussão só porque estamos na rua. O nosso amor é nosso. Não preciso provar nada a ninguém. Sou defeituosa ao seu lado. E entendi que estar ao lado de alguém é aceitar e, sobretudo, se apaixonar pelas imperfeições. Pelas falhas. Amo seu cabelo bagunçado. Amo seu eu desligado. Amo as músicas que você compõe de repente, a partir de algo do cotidiano, como aquela chamada “O que você quer de mim”. Amo que não faça o que os outros pedem que faça. Amo que seja defeituoso também. Não somos bonecos para sermos perfeitos. Viemos vazios ao mundo para, aos poucos, nos completarmos. Com vida. Com experiências. Com amizade. Com amor. Com o outro. Me completar significa que algo faltava. Não pense nisso como uma necessidade de suprir meus vazios. E sim com um desejo extremo de completar minha vida com a sua. Minhas mãos com as suas. Minhas marcas com suas marcas. Minhas estrelas com suas estrelas. Aquelas nas costas. Formar constelações quando estamos juntos. Resultar em coisas maravilhosas que surgiram do puro caos. Como disse aquele cientista daquela série que você ama. Eu amo que meus gostos não sejam iguais aos seus. Eu amo a nossa pluralidade. A nossa diversidade. Eu amo como eu sempre posso aprender algo a mais contigo. Eu amo que nossos cotidianos se esbarrem e se encontrem de forma bagunçada porém harmônica. Quem não vê beleza no caos, não vê beleza no universo. E eu vejo muita beleza no universo que há dentro de você. E me recordo da frase anterior. A gente é feito de cacos. A gente quebra. A gente conserta. A gente retorna para o que faz a gente se sentir tão confortável. Tão em casa. Depois de longas caminhadas, chegar em casa é sempre um alívio. Um ar fresco. Você é brisa no meio do calor. A gente tem problemas. Mas a gente é ser humano. Ser humano foi feito para ter problemas. O que podemos fazer? Encontrar saídas lindas no meio da bagunça. Encontrar a calmaria no meio da tempestade de poeira. Encontrar amor. Encontrar você.

6 de jan de 2017

Laço

6 de jan de 2017
Cá entre nós
Você foi meu presente
Que veio
com um belo
laço.
Pissenlit