27 de jan de 2017

Problemas

27 de jan de 2017


Não vou negar. A gente tem problemas. A gente é feito de cacos, reparos, retardos, manias. A gente é gente. Nada além disso. Se, como pessoas, temos de lidar com o fardo de aguentar nossos próprios defeitos, suprir nossas próprias vontades, tolerar nossas próprias inseguranças; como devemos lidar com o outro? Respondo da seguinte forma: Não devemos lidar com o outro. Devemos aprender, amar, entender e buscar melhorar. Não vivemos das aparências. Não somos o tipo de casal que vai agir de forma delicada para mostrar para todos que nosso relacionamento não tem falhas. Oras, somos seres humanos! Falhamos sozinhos! Porque seríamos completamente perfeitos com outros? Temos faltas, vazios, buracos, desejos, frustrações. Temos problemas, como falei no começo. Não somos perfeitos. Somos pessoas. Porém, antes de qualquer coisa, escolhi não ser perfeita ao seu lado. Escolhi ter faltas, vazios, buracos, desejos, frustrações; ao seu lado. Me entrego crua. Sem photoshop, sem mentiras. Me terá inteira, portanto me terá defeituosa. Não vim de uma fábrica just-in-time. Não vou postar fotos o tempo inteiro de nós dois. Não vou mostrar nossas fotos o tempo inteiro para os outros. Não vivo de expectativas alheias. Não vou impedir uma discussão só porque estamos na rua. O nosso amor é nosso. Não preciso provar nada a ninguém. Sou defeituosa ao seu lado. E entendi que estar ao lado de alguém é aceitar e, sobretudo, se apaixonar pelas imperfeições. Pelas falhas. Amo seu cabelo bagunçado. Amo seu eu desligado. Amo as músicas que você compõe de repente, a partir de algo do cotidiano, como aquela chamada “O que você quer de mim”. Amo que não faça o que os outros pedem que faça. Amo que seja defeituoso também. Não somos bonecos para sermos perfeitos. Viemos vazios ao mundo para, aos poucos, nos completarmos. Com vida. Com experiências. Com amizade. Com amor. Com o outro. Me completar significa que algo faltava. Não pense nisso como uma necessidade de suprir meus vazios. E sim com um desejo extremo de completar minha vida com a sua. Minhas mãos com as suas. Minhas marcas com suas marcas. Minhas estrelas com suas estrelas. Aquelas nas costas. Formar constelações quando estamos juntos. Resultar em coisas maravilhosas que surgiram do puro caos. Como disse aquele cientista daquela série que você ama. Eu amo que meus gostos não sejam iguais aos seus. Eu amo a nossa pluralidade. A nossa diversidade. Eu amo como eu sempre posso aprender algo a mais contigo. Eu amo que nossos cotidianos se esbarrem e se encontrem de forma bagunçada porém harmônica. Quem não vê beleza no caos, não vê beleza no universo. E eu vejo muita beleza no universo que há dentro de você. E me recordo da frase anterior. A gente é feito de cacos. A gente quebra. A gente conserta. A gente retorna para o que faz a gente se sentir tão confortável. Tão em casa. Depois de longas caminhadas, chegar em casa é sempre um alívio. Um ar fresco. Você é brisa no meio do calor. A gente tem problemas. Mas a gente é ser humano. Ser humano foi feito para ter problemas. O que podemos fazer? Encontrar saídas lindas no meio da bagunça. Encontrar a calmaria no meio da tempestade de poeira. Encontrar amor. Encontrar você.

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