7 de dez de 2015

Feminismo: Por onde começar?

7 de dez de 2015

Até o meio de 2014, eu não fazia ideia do que significava "feminismo" e nem que eu era uma feminista. Ninguém havia me contado. Tudo o que eu sabia era o que eu havia escutado na rua, ou seja, estava tudo errado.

Eu achava que "feminismo" era uma palavra ruim, pelo que as pessoas costumavam falar das feministas. Foi numa conversa, certa vez, que falaram "você é feminista né?" e eu com todo desgosto do mundo respondi: "Claro que não!". Quando, na verdade, eu não fazia ideia do que significava.

("O que feminismo, na verdade, é" / O que a sociedade pensa que o feminismo é")

Então, resolvi procurar um pouco a fim de matar minha curiosidade. Fui ao famoso google e digitei: "Feminismo". E me deparei com a seguinte caixinha:


Eu fiquei em uma confusão interna. Então tudo o que eu sabia estava errado? (Sim). E tudo o que as pessoas falam das feministas é puro estereótipo? (Sim). E eu sou feminista?

Antes de responder essa pergunta resolvi procurar um pouco mais na internet. Descobri que questões que me deixavam pensativa no meu cotidiano faziam parte de pautas feministas, como:

- Abusos emocionais, físicos, morais, verbais, sexuais, etc;
- Direito ao meu corpo;
- Salários igualitários;
- A existência da opção do aborto na vida da mulher;
- Culpabilização da mulher em diversas situações;
- Maternidade compulsória;
- Acesso à educação para meninas;
- Exploração da imagem da mulher pela mídia;
- Muitos outros tópicos que se relacionam à: Igualdade de gêneros e Libertação da mulher dos moldes patriarcais.

("Sociedade diz: OK / Sociedade diz: Não OK)

Uma pessoa que se via indignada toda vez em que escutava "Fulana foi estuprada" "Mas ela estava de saia", que não conseguia entender a criminalização do aborto uma vez que nenhum dos métodos contraceptivos é 100% eficaz. Uma pessoa que odiava ver que seu corpo era promíscuo demais para ser mostrado nas ruas, mas era maravilhoso nos comerciais de carros e cerveja, que estava cansada de me dizerem que eu devia ser ou fazer isso ou aquilo, nunca o que eu desejava para a minha felicidade. Sempre algo enquadrado na servidão à outro homem.

"Mude seu corpo, seja magra, seja linda, use maquiagem, depile as pernas". Eu não queria estar presa à essas amarras. Eu estava exausta de tudo isso. Mas como me chamar feminista sem saber mais sobre o movimento antes? E pior: Como parar de reproduzir o machismo que eu fui ensinada a reproduzir desde novinha?

("Feminismo não é uma palavra ruim")

O primeiro post que li foi da revista "Carta Capital" e explicava o que o movimento era. Eu postei o link na página do blog uma vez, pois achei que era um jeito fácil de mostrar que "Feminismo" não era uma palavra feia (é uma palavra linda, que luta pelos meus, os seus, os nossos direitos.)

O texto foi escrito por Clara Averbuck e me interessei tanto pelo que li, que procurei seu nome na internet e descobri que ela escrevia em um blog chamado "Lugar de Mulher". Com posts simples e geralmente rápidos e engraçadinhos (linguagem irônica: melhor jeito de chamar minha atenção), devorei o blog inteiro em uma noite e descobri que eu era (SIM!) uma feminista.

Por uns minutos me senti triste. Ninguém nunca havia me contado o que era e eu julguei tão rápido, pois fui ensinada a julgar. Se alguém um dia disponibilizasse seu precioso tempo para me explicar um pouco quando eu era mais novinha, quem sabe eu não havia chamado aquela amiga de puta um dia ou falado uma vez que "homem é assim mesmo". Pois é, eu já fui a #minhaamigasecreta.

No facebook encontrei diversas páginas/grupos que chamaram a minha atenção, entre elas:
- Muitas outras.

("O primeiro passo é nos livrarmos dessas algemas impostas pelos homens")

Foi entrando nesse universo que fui percebendo como o machismo está presente no meu cotidiano, constantemente escancarado e bem embaixo do meu nariz. Aprendi sobre protagonização de movimentos, apropriação, privação das mulheres na sociedade e vários problemas da sociedade relacionados às diferenças impostas entre gêneros.

Além disso, encontrei ícones que são considerados feministas presentes tanto na história, quanto na atualidade. Pessoas como Malala Yousafzai, Emma Watson, Rosa Parks, Mc Soffia, Jout Jout Prazer, Simone de Beauvoir, Joana Maranhão, Virgínia Woolf são algumas das mulheres que se destacaram na história e no presente do feminismo.

Você provavelmente já escutou por aí que as feministas são:
- Mal amadas
- Mal comidas
- Obrigatoriamente homossexuais
- Obrigatoriamente peludas no corpo todo
- Raivosas
- Inimigas de todos os homens do planeta
- Querem derrotar todos os homens que encontram
- Saem tendo relações desprotegidas para ir abortando de propósito diversas vezes.

Não é bem assim. O feminismo foi um movimento para quebrar as correntes impostas pela sociedade, não para criar novas. Para sermos o que somos, sem interferência alheia. Para nos vestirmos como queremos sem medo de sair da rua. Para andarmos pelas ruas sem medo de sermos estupradas. Para recebermos o mesmo salário que homens no mesmo patamar que o nosso. Para decidirmos se seremos mães ou não. 

Não queremos privilégios. Queremos os mesmos direitos que os boys possuem! Como eu disse lá em cima, o feminismo luta pelo seu, pelo meu, pelos nossos direitos, mana.


Espero que tenha gostado :)
Natália

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